[caption id="attachment_1631" align="alignleft" width="300"] Foto: Arquivo VivaDouro[/caption]

A venda de vinhos da Casa do Douro (CD) rendeu cerca de 1,5 milhões de euros que vão ser canalizados para o pagamento de salários e indemnizações aos trabalhadores, disse fonte da comissão administrativa.

A comissão administrativa do património da extinta Casa do Douro, com sede no Peso da Régua, colocou à venda 81.400 litros de vinho do Porto, separados em 27 lotes de colheitas que vão desde 1934 até 2001. O responsável pela comissão, Agostinho Santa, disse à agência Lusa que decorreu no dia 8 de maio o ato formal de abertura de propostas para a compra dos vinhos, que renderam 1,5 milhões de euros. "Foi muito boa, pelo menos atingiu-se o efeito útil que se pretendia e que foi fazer dinheiro. Com alguma folga conseguimos o dinheiro que precisávamos para pagar aos trabalhadores", afirmou. Treze empresas apresentaram propostas para praticamente todo o vinho que foi colocado à venda. Eram oito vinhos diferentes e só um deles é que não foi vendido totalmente. Puderam participar neste procedimento de alienação comerciantes de vinho generoso e de vinho do Porto, inscritos no Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP). Agostinho Santa explicou que, a partir de quarta-feira, começam a ser notificadas as empresas que apresentaram as melhores propostas, as quais, após a notificação, têm depois cinco dias úteis para efetuarem o pagamento. Se tudo correr bem, segundo o responsável, os pagamentos aos trabalhadores da extinta CD poderão começar a ser efetuados até ao final de maio ou início de junho. Em causa, explicou, estão vencimentos e indemnizações que ficaram por pagar aos funcionários que perderam o vínculo laboral quando a CD foi extinta e outros que já tinham saído da instituição, mas que ficaram também com pagamentos em atraso. Para esta venda, foram selecionados os lotes de vinho que estão sem ónus, ou seja, que não têm penhora mercantil ao Estado ou à Parvalorem. Criada em 1932, a CD viveu durante anos asfixiada em problemas financeiros possuindo uma dívida ao Estado que atingiu, segundo o anterior Governo PSD/CDS-PP, os cerca de 160 milhões de euros. A Casa do Douro pública foi extinta em dezembro de 2014. Posteriormente a Federação Renovação do Douro ganhou o concurso para gerir a CD privada e, já com o Governo PS, foi nomeada uma comissão administrativa para a regularização das dívidas da extinta Casa do Douro e da situação dos trabalhadores.  

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