Cultura Moimenta da Beira

Sto. Artista apela à criação sem donos no átrio da Câmara

“Uma esmola para o Sto. Artista”, um título apelativo para o trabalho artístico de Tiago Lopes e Nuno Vaz, inaugurado esta quinta-feira no átrio dos Paços do Concelho.

A criação, patente até inícios do próximo mês, com óbvios paralelismos religiosos, não é crítica, os artistas não são santos, mas a esmola quer-se verdadeira, em nome da liberdade e do amor à arte.

“A ideia é valorizar a vida do artista e não só a obra, pensar o artista como personagem sem estar subjugado ao patrono”, explica Tiago Lopes, professor de Educação Visual e Tecnológica no Agrupamento de Escolas do Mundão, Viseu.

A instalação é ousada. Três pinturas num andaime e cartão usado, a que se junta alguma iconografia religiosa. O Sto. Artista principal, pintado sobre cartão, vestido como um desportista, remete para um jogador de futebol, tem uma auréola, e ao fundo da tela, há uma mão de cera e uma caixa para as esmolas. Do outro lado, há outras duas pinturas, igualmente concebidas por este artista, responsável por vários ateliês e oficinas de artes plásticas, que diz ter-se inspirado no pai para os rostos dos “stos”.

Nuno Vaz, poeta e escritor, virá na próxima quinta-feira, dia em que o átrio da Câmara receberá crianças do Agrupamento de Moimenta da Beira para uma atividade de escrita interpretativa. Nos restantes dias, o trabalho deste natural de Canas de Senhorim será visível nas orações distribuídas aos visitantes, belas, arrojadas, mais ou menos comoventes.

Tiago Lopes, que veio com um amigo, Luís Seixas, o arquiteto que o ajuda a adaptar a instalação ao ambiente, relembra o impacto da obra nos Jardins Efémeros, no ano passado: O Sto. Artista esteve dentro de uma Ford Transit com um andor, velas acesas e como som de fundo ouviam-se as orações poéticas de Nuno. “(...) São as esmolas do artista, de mão estendida, sem barreiras, pedinte sem vergonha da criação. (...) Ajuda o criador, sem vergonha ou pudor. Uma esmola de afetos, é tudo o que se pede”. Ou como se retira do conceito principal destes artistas, “todos precisam de euros para viver.”

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