Opinião

O que pensa....António Fontainhas Fernandes

  Ensino Superior, Ciência e Território  O país está atento às oportunidades que se abrem no novo ciclo de programação até 2020. Esta questão assume particular relevância nos territórios denominados de baixa densidade, cujo mapa foi divulgado recentemente. Na verdade, quando se reivindica mais solidariedade à Europa, entre regiões mais ricas e pobres, seria bom que se dedicasse algum tempo a olhar para o nosso próprio país e para as suas regiões. Com efeito, os ganhos de coesão intrarregionais que se têm registado, reduzindo as disparidades do PIB “per capita” entre as NUTS III, são devidos à perda de dinamismo económico dos subespaços com maior nível de rendimento e não o inverso. Os indicadores socioeconómicos, caso da concentração da população, comprovam bem as diferenças intrarregionais. A título de exemplo, refira-se que no Norte a concentração de população no litoral é superior a 88%, representando sub-regiões como o Douro e o Alto Trás-os-Montes apenas 4% da população do continente. O histórico encravamento geográfico do interior acentua a sua condição de território periférico e marginal face aos centros mais dinâmicos, facto que, associado a um processo generalizado de esvaziamento demográfico, agrava as disparidades de desenvolvimento económico e social. É consensual que as instituições de ensino superior são elementos catalisadores e fundamentais para as economias e dinâmicas globais do território, ainda que o seu impacto mais direto se sinta sobretudo no consumo originado, tanto pelos alunos como pelo pessoal docente e discente. No caso das instituições localizadas em territórios de baixa densidade populacional, importa consolidar o seu papel na valorização do território, enquanto âncoras que permitam inverter as dinâmicas de despovoamento registadas nas últimas décadas. A valorização dos recursos endógenos reclama uma estratégia de desenvolvimento baseada numa maior interação das Universidades com os atores e a economia do território. Nesta linha, a UTAD tem vindo a criar pontes entre as instituições regionais e a defender o estabelecimento de compromissos no contexto de uma economia de bens transacionáveis, articulando o ensino, a produção e a disseminação do conhecimento na cadeia do valor das fileiras definidas como prioritárias em cada território. Isto é, tem assumido e contribuído para aprofundar uma estratégia de especialização inteligente, geradora de efeitos económicos no curto médio prazo, como condição para estancar e desejavelmente inverter o ciclo de declínio do interior. O alcance deste objetivo exige que se evolua do plano da narrativa para a definição de um programa de ação concreto que ligue o ensino superior, a ciência e o território, que capacite e estimule as instituições de ensino superior a desempenharem eficientemente o seu papel, com base num conjunto de pressupostos e incentivos associados ao respetivo desempenho. É este o compromisso da UTAD com a região e o país. António Fontainhas Fernandes - Reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)

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