Opinião

Nova Direcção da Liga dos Amigos do Douro a Património Mundial

Quando a UNESCO aceitou a inscrição do Alto Douro Vinhateiro (ADV) na Lista do Património Mundial, na categoria de Paisagem Cultural, foram feitas algumas recomendações às autoridades portuguesas, traduzindo a preocupação de preservar o Valor Universal Excepcional do bem. Foi por isso que o principal promotor da candidatura - o Dr. Miguel Cadilhe - animou a criação de uma figura associativa, sem fins lucrativos, que assumisse esses propósitos cívicos. A "Liga dos Amigos do Douro a Património Mundial" foi essa instituição, cuja criação efetiva ocorreu na data do 1º. aniversário do reconhecimento do ADV como Património da Humanidade, em Dezembro de 2002.

De acordo com os seus estatutos e nestes 15 anos de vida, a Liga tem procurado ser fiel aos seus fins para a salvaguarda, preservação, valorização e projecção dos atributos de património que foram objecto de reconhecimento.

Com meios limitados mas de forma continuada, a Liga soube agregar gente que assume o Douro como uma das suas grandes referências. Soube ter uma actuação discreta mas firme, orientada para conhecer e dar a conhecer os valores do Douro. Promoveu inúmeros debates na região sobre boas práticas de estruturação das novas vinhas. Explorou a relação da viti-vinicutura com outras actividades que aportam valor social e económico ao Douro e podem contribuir para o seu desenvolvimento integrado, como o turismo e a cultura. Facilitou o conhecimento de outras realidades com afinidades sociais e culturais, trazendo até nós testemunhos externos de outras regiões vinhateiras e organizando visitas para conhecer essas realidades "in loco".

Porém, considero que do que foi feito, o mais decisivo e convergente com a sua nobre missão terá sido o trabalho desenvolvido com as escolas e os professores da região. A preservação do Douro e dos seus valores únicos só pode ser plenamente conseguida se soubermos conquistar para esse fim os que vivem no Douro e dos seus recursos e, muito especialmente, os mais novos, visto que serão eles os agentes de maior proximidade e que podem renovar uma ambição, de prolongar no futuro o carácter patrimonial do ADV. Daqui a relevância estratégica do envolvimento dos professores com toda a sua capacidade pedagógica e multidisciplinar. Apesar da sobrecarga de tarefas que recai sobre os profissionais do ensino, é justo reconhecer a sua empenhada adesão a estes programas de sensibilização para a realidade duriense e para os desafios que se colocam a esta região. Têm sido criados concursos para os alunos sobre temáticas do ADV e acabam de ter lugar os primeiros cursos de formação de professores para a Preservação e Valorização do ADV. Mas pode ser feito muito mais.

Foi justamente o que o novo Presidente da Liga - o Dr. António Filipe - pessoa profundamente dedicada ao Douro, anunciou como sua grande prioridade: "garantir a criação de condições para que as actuais e as futuras gerações possam continuar a usufruir de uma região extraordinária e única no mundo". Vale a pena estarmos atentos a este nova ambição da Liga e desejarmos-lhe bom sucesso.

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