Há casas que mudam de função, mas não perdem a memória. No centro histórico de Vila Nova de Foz Côa, a antiga Casa dos Almeidas é hoje o Foz Côa Story House, um hotel de quatro estrelas que encontrou na história do edifício e na identidade do território a inspiração para criar uma experiência diferente.
A começar pelos quartos. Cada um tem o seu próprio nome, Laranjas, Rosas, Alfazema, Margaridas, entre outros, e uma identidade própria. Na parede da cabeceira da cama, o contraplacado utilizado no revestimento é impregnado com o aroma correspondente ao nome do quarto. O resultado é um daqueles detalhes que se descobrem sem pressa, uma estadia que não se limita ao que se vê, mas que também passa pelo olfato.
O ambiente do hotel cruza o carácter da casa antiga com uma linguagem contemporânea, num equilíbrio entre memória e conforto. Os quartos e os espaços comuns foram pensados para proporcionar uma estadia tranquila e, ao mesmo tempo, manter uma ligação ao lugar onde o hotel está inserido. Cá fora, Foz Côa abre a porta para um território de vinhas, amendoais, olivais, xisto e dois rios que marcaram a paisagem e a história da região.
É, aliás, essa vontade de contar o território que está na origem do conceito Story House. A experiência pode começar no próprio edifício, continuar num passeio pelo centro histórico, seguir até às gravuras rupestres ou às quintas do Douro Superior e terminar à mesa.
Porque há outra história que o Foz Côa Story House quer contar: a da sua cozinha. E para essa história não é preciso ser hóspede.
O restaurante está aberto ao público e recebe quem quiser sentar-se à mesa, seja para um almoço durante uma passagem por Vila Nova de Foz Côa, para um jantar depois de um dia a descobrir a região ou simplesmente para conhecer uma proposta gastronómica que procura levar os sabores do Douro Superior para uma cozinha de inspiração contemporânea, com assinatura do Chef Lucas Ghiraldello Galvão.
A ideia parte dos produtos e das referências da região, mas não se limita a reproduzir a cozinha tradicional. O azeite, a amêndoa, o vinho, os legumes da época, as carnes, o peixe do rio e outros produtos do território entram numa cozinha que procura trabalhar cada ingrediente com técnica e criatividade, respeitando aquilo que lhe dá identidade.
É uma forma de cozinhar o território sem o transformar numa peça de museu. Os sabores são reconhecíveis, mas podem aparecer em combinações menos óbvias; os produtos têm raízes locais, mas chegam à mesa através de uma apresentação contemporânea.
A sazonalidade acompanha esse trabalho. A cozinha adapta-se ao que a terra oferece em cada altura do ano, permitindo que os ingredientes sejam utilizados no momento em que estão no seu melhor e que a experiência à mesa também se vá renovando.
Há, depois, o vinho. Num lugar onde a vinha desenha a paisagem e faz parte da vida das comunidades, seria difícil imaginar uma experiência gastronómica em Foz Côa desligada do que se produz nas encostas do Douro Superior. A ligação aos vinhos da região surge, por isso, de forma natural, prolongando no copo aquilo que começa no prato.
O restaurante foi pensado para diferentes ocasiões e públicos. Há lugar para um almoço descontraído, para um jantar mais demorado, para famílias, grupos ou momentos especiais. O espaço pode também receber provas de vinho, jantares temáticos e outros eventos gastronómicos, reforçando a ligação entre a cozinha, o vinho e o território.
Mas talvez uma das suas maiores vantagens seja precisamente a possibilidade de entrar sem precisar de ficar. Num hotel, o restaurante pode ser facilmente associado apenas aos hóspedes. Aqui, a porta está aberta também para quem vive em Foz Côa, para quem está de passagem ou para quem decidiu fazer da refeição mais uma etapa de uma visita ao Douro Superior.
E há boas razões para que assim seja. Depois de visitar as gravuras do Côa, caminhar pelas ruas do centro histórico, conhecer uma quinta ou simplesmente percorrer as paisagens entre o Douro e o Côa, sentar-se à mesa pode ser a melhor forma de prolongar a viagem.
No Foz Côa Story House, a experiência começa antes de chegar ao restaurante. Está nos quartos com nomes de flores e aromas, nos detalhes da antiga Casa dos Almeidas, na relação com a cidade e na vontade de transformar a estadia numa forma de conhecer o território.
Depois chega à mesa.
Aí, a história faz-se de outra maneira: com azeite, vinho, amêndoa, produtos da terra e sabores do rio, reinterpretados numa cozinha que olha para a tradição sem ficar presa a ela.
Em Vila Nova de Foz Côa, há muitas histórias para descobrir. Algumas estão gravadas na pedra. Outras vivem na paisagem. E há ainda aquelas que se contam à mesa.
Para essa última história, não é preciso reservar um quarto. Basta reservar lugar.