Domingos Nascimento

Feridas escondidas!

Não sou de facto a pessoa certa para falar de alguns assuntos que vou abordar. Mesmo assim, quero arriscar.

É impossível ficar indiferente à enorme inquietação e angústia nos produtores de uvas na região demarcada do Douro.

Os viticultores estão a receber cartas de fechar de porta. Ou seja, não vislumbram solução para darem o mínimo sentido económico ao seu trabalho. O que farão às uvas que daqui a pouco terão nas suas vinhas?

Não sei qual será a solução. Ou se haverá solução, mas é uma discussão que nos deve envolver a todos. Para que isso aconteça urge simplificar a comunicação e abordar os problemas sem reservas.

Arrisco dizer o óbvio, é urgente desenvolver um novo modelo económico para a região demarcada do Douro.

Também na Távora Varosa, produzir é viver em desassossego. A viabilidade da vinha depende da boa vontade dos poucos agentes económicos que vinificam. O Espumante tem sido a melhor forma para valorizar as uvas.

O bom trabalho da Comissão Vitivinícola, tem sido com o objetivo de ajustar em alta os preços dos vinhos e espumantes.

E, se assim acontecer, certamente o valor acrescentado será partilhado com os agricultores.

A valorização também se faz com a clara diferenciação.

Declarando-me parte, desejo que continuemos a colocar no mercado vinhos e espumantes de elevado valor acrescentado.

Arrisco dizer que, se deixarmos que a ciência e a técnica possam dar um novo sentido à ancestralidade trazida pelos Monges de Cister, poderemos fazer em escala viável algo absolutamente único.

Ainda na região, a viabilidade da produção da maçã é frágil. Não é percetível para o comum dos consumidores a genuína diferenciação da nossa maçã.

Não construímos uma marca devidamente ampla e com origem protegida.

O risco de ser substituída por outras origens é enorme.

Arrisco dizer que os excelentes investimentos para produção de maçã realizados na região, poderão a médio prazo tornarem-se inviáveis.

Estas, são só mesmo alguns exemplos de feridas que podem por em perigo o equilíbrio desta região fantástica.

Importa alargar a discussão da viabilidade económica e social da região, sem reservas ou preconceitos. Provavelmente estaremos num tempo de refundação!

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