Cultura Vila Real

Encontros Internacionais de Música da Casa de Mateus regressam em 2024, entre 27 de julho e 3 de agosto

A XXXI edição dos Encontros Internacionais de Música da Casa de Mateus concluiu-se no dia 29 de julho com o concerto Gran Finale. Ao longo de todo o mês, Mateus e a cidade de Vila Real viveram uma programação intensa, com muitos caminhos abertos à prática e à escuta da música barroca.  

O Ciclo de Concertos de Música Antiga iniciou-se logo no dia 7 com o concerto O Cosmopolitismo no Feminino, em parceria com o ensemble Divino Sospiro, e prolongou-se em mais seis concertos com repertórios e formações plurais – de um programa de sonatas portuguesas do séc. XVIII à revisitação da obra de J. S. Bach, do concerto a solo de Jacques Ogg à estreia absoluta de uma formação de excelência composta pelos professores dos Cursos Internacionais de Música Barroca: Roberta Invernizzi, soprano; António Carrilho, flautas; Job ter Har, violoncelo; Peter Croton, alaúde; e Jacques Ogg, cravo.

Estes foram, de resto, os mestres responsáveis pela experiência de mais de três dezenas de alunos oriundos um pouco de toda a Europa e Brasil, na sua maioria já com uma carreira de intérpretes, que aqui trabalharam e aperfeiçoaram a sua relação com as práticas historicamente informadas de revisitação e execução dos repertórios barrocos.

A programação conheceu o ponto culminante com a estreia, no Teatro de Vila Real, que coproduziu, da ópera barroca As Damas Trocadas, de Marcos Portugal, tocada com instrumentos de época pela Orquestra Barroca de Mateus, sob a direção do maestro Ricardo Bernardes, e cantada em português por um elenco de cantores notável, dirigido pelo encenador Nicolás Isasi, perante uma sala cheia com mais de quatrocentos espectadores.

Ao todo, os Encontros de Música, realizados com o apoio da Direção Geral das Artes e do Município de Vila Real, mobilizaram mais de oitocentas pessoas e reafirmaram o lugar central da música de inspiração barroca no calendário cultural da cidade e da região.

Já habituado a participar nos Cursos, Rodrigo Barata, considera que “esta edição foi melhor, mais alunos, mais diversidade. E estar aqui na Casa de Mateus é mesmo estar em casa.” Mariana Cardoso, aluna e cantora, habituada a participar em diferentes cursos de música, considerou esta experiência de Mateus muito diferente: “o facto de estarmos na Casa de Mateus, todos juntos, todos os dias, inspira muito e foca-nos mais no trabalho”.

Para o diretor artístico dos Encontros Internacionais de Música, Ricardo Bernardes, foi, sobretudo, muito emocionante regressar depois de uma pandemia, produzir uma ópera tão significativa como a de Marcos Portugal e encontrar um grupo de alunos muito motivados: “Este ano foi fantástico. Tivemos muitos alunos de muita qualidade e grandes recitais, tanto de solistas como de ensembles.”

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