Fontaínhas Fernandes

Em defesa da linha do Douro

A recente informação das Infraestruturas de Portugal veiculada pela comunicação social que a eletrificação dos troços ferroviários Marco-Régua e Régua-Pocinho não têm data marcada, fazem da linha do Douro a mais atrasada do plano de modernização ferroviária nacional. Sem dúvida que, para o interior, vontades políticas dificilmente são realidades!

A eletrificação entre o Marco e a Régua encontra-se em fase contratação. Quanto à modernização do troço Régua-Pocinho, estima-se que os estudos, projetos e a avaliação de impacte ambiental somente estejam concluídos em 2027. Estamos a falar de um canal ferroviário já existente, pelo que não se entende esta calendarização.

Sem dúvida, a requalificação da linha do Douro não é uma prioridade nacional. Em termos de financiamento a prioridade também é baixa, atendendo a que não está previsto nos programas do novo quadro comunitário, devendo o custo do troço Pocinho-Barca d’Alva ser assegurado pelo Orçamento de Estado ou por outras fontes de financiamento. O Fundo Ambiental pode ser a solução, pois sob o chapéu da descarbonização, não deve concentrar-se apenas no financiamento de redes dos grandes eixos urbanos.

Os durienses devem manter o mesmo empenho manifestado na petição enviada à Assembleia da República em defesa do investimento na reabertura, requalificação e modernização da Linha do Douro até Barca d’ Alva. Os motivos mantêm-se, pois, relançar a linha do Douro tem reconhecido potencial turístico e mesmo de transporte de mercadorias, ligando o litoral Norte ao sistema ferroviário europeu. É essencial para o desenvolvimento económico de uma região que se esvazia, permitindo ligar quatro patrimónios da Humanidade (Porto, Alto Douro Vinhateiro, Foz Côa e Salamanca),

Indubitavelmente, este tema deve ser objeto de discussão pelos partidos políticos e pelos candidatos a novos representantes do Douro para o novo ciclo de governação que se avizinha. É tempo de apresentar propostas que, num contexto de acelerada transformação da sociedade, garantam um processo efetivo de convergência do Douro.

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