Editorial

Editorial - abril 2022

Caros leitores,

A discussão à volta do uso ou do não uso de máscaras nas salas de aula e de uma forma genérica em espaços fechados é mesmo muito à Portuguesa e muito representativo das dores que tivemos para ter uma democracia. Os portugueses gostam de ser comandados (ou será liderados?) e gostam que a responsabilidade das decisões não lhes sejam atribuídas.

Por toda a Europa as pessoas já deixaram de utilizar a máscara a não ser em situações de grande risco, como contacto com grupos mais vulneráveis ou nos estabelecimentos de saúde. Mas em Portugal não. Porque em Portugal as pessoas podem estar num restaurante com centenas de pessoas a jantar sem máscara, mas não podem estar sem ela se estiverem a ler numa biblioteca. Podem ir para a discoteca ou assistir a espetáculos ao vivo e cantar com o uso de plenos pulmões; mas não podem deslocar-se no escritório sem a colocar.

A avaliar por uma recente visita que fiz à Alemanha, assim que as máscaras deixarem de ser obrigatórias, imediatamente quase todos as abandonarão. Os Portugueses (e a maior parte dos Europeus) não têm o sentido de responsabilidade individual e coletiva que têm outros povos, particularmente os Asiáticos e, consequentemente, só usam se forem obrigados. Por outro lado, a gestão razoável que foi feita da pandemia do ponto de vista da saúde pública (não nas questões económicas, como vimos nos dados recentes em comparação com outros países; mas isso é outro assunto) leva os portugueses a terem boas doses de confiança nas vacinas e na proteção que estas transmitem. Ora isto leva a desleixo e deixar a coisa andar sem problemas porque estamos todos vacinados.

E o governo bem sabe disto. Aliás ganhou eleições com maioria absoluta por causa da inconsistência que outros partidos demonstraram que teriam para gerir a pandemia. Porque nós queremos que os outros usem a máscara para protegermos o coletivo. Mas nós não a queremos usar porque a nós incomoda.  E se ninguém nos obrigar dificilmente iremos usar. Já os outros o devem fazer, que é obrigação cívica. E é assim que rapidamente passamos de toda a gente a usar para ninguém a usar.

Por isso é tão difícil ter opinião sobre este assunto!

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