Desporto Peso da Régua

Dos primeiros mergulhos na Régua ao sonho europeu

Com apenas 16 anos, Eva Coutinho soma títulos nacionais, treina duas vezes por dia em Rio Maior e prepara-se agora para representar Portugal no Campeonato da Europa, depois de um percurso marcado por sacrifício, ambição e uma evolução constante dentro de água.

Eva ainda tenta encontrar palavras para descrever o momento em que confirmou aquilo que poucos atletas da sua idade conseguem alcançar. Em Coimbra, no Campeonato Nacional de Juniores e Absolutos (Open de Portugal), a jovem nadadora natural de Peso da Régua sagrou-se tetracampeã nacional júnior, consolidando um percurso que tem sido tudo menos comum.

“Foi um choque. Quando acabei de nadar a última prova estava completamente em choque, nem conseguia bem entender o que estava a acontecer. Toda a gente a dar-me os parabéns e eu a tentar perceber o que se estava a passar”, recorda. A emoção deu rapidamente lugar à ambição, “fiquei muito feliz e com vontade de sonhar ainda mais alto.”

Nascida em julho de 2009, Eva iniciou o seu percurso nas Piscinas Municipais do Peso da Régua, em outubro de 2015, ainda nas classes de adaptação ao meio aquático. A ligação à natação não foi imediata nem exclusiva. “Com seis anos andava na natação e na dança. Com o tempo acabei por desistir da dança e focar-me na natação, até porque para nos dedicarmos a sério requer muito tempo”, explica.

A paixão foi crescendo de forma natural, alimentada pela evolução e pelos resultados. “Não posso dizer que escolhi a natação por amor. Foi algo que foi crescendo à medida que sentia que ia melhorando nos treinos e começando a ganhar provas.” Desde 2018 como atleta federada, rapidamente começou a destacar-se, especializando-se em crawl e bruços, sobretudo em curtas distâncias.

Hoje, aos 16 anos, vive em Rio Maior, onde integra o centro de estágios e segue uma rotina exigente, dividida entre treinos e estudos. “Tenho treinos bidiários, de manhã entre as 06h e as 08h e à tarde entre as 18h e as 20h. Nos dias em que não tenho treino de manhã tenho ginásio à tarde e depois água.” A exigência física soma-se à académica. “Conciliar a competição com os estudos é o mais difícil. Quando cheguei ao 10.º ano tive dificuldades a adaptar-me, mas com esforço consegui.”

A mudança para Rio Maior trouxe também um desafio emocional. Longe da família, Eva reconhece o peso da distância. “Vejo os meus pais uma ou duas vezes por mês. Essa é a parte que custa mais. São muitas saudades, mas sei que eles me apoiam e estão orgulhosos do caminho que estou a fazer.”

Esse caminho leva-a agora a um dos maiores palcos da sua ainda curta carreira, o Campeonato da Europa, em julho, em Munique. A ambição está bem definida, mas com os pés assentes na realidade. “Quem participa numa prova destas tem sempre a ambição de ganhar provas. Tenho essa ambição e é para isso que estou a trabalhar, mas é muito difícil, a competitividade é muito grande.”

Para chegar até aqui, Eva teve de fazer escolhas que a afastam da vida típica de uma adolescente. “Após as aulas, os meus colegas querem ir passear ou comer um gelado, eu não posso. Tenho de ir treinar. Ou sair à noite ao fim de semana, também não posso.” Sacrifícios que encara com maturidade, “são pequenas coisas que custam, mas é por um bem maior.”

Ser natural de uma região como o Douro também representou um desafio adicional no seu percurso. “Acho que é mais difícil. Não tenho tantos competidores como alguém do Porto ou Lisboa. Ter mais nadadores à nossa volta faz-nos evoluir mais.”

Ainda assim, é precisamente essa origem que hoje a transforma numa referência para os mais novos da Régua. “Foi estranho perceber que me fui tornando um ídolo. Ouvi-los dizer que gostavam de ser como eu faz-me perceber a dimensão que estou a atingir. É uma sensação muito boa.”

Com os olhos postos no futuro, há um sonho que começa a ganhar forma. “Os Jogos Olímpicos são algo em que qualquer atleta pensa. Pode parecer distante, mas estou a trabalhar nesse sentido.” Para já, o foco está nas etapas mais próximas, num percurso que continua a ser construído braçada a braçada.

Entre os exemplos que segue, destaca nomes maiores da natação portuguesa. Diogo Ribeiro, que considera “o melhor nadador nacional”, e Ana Rodrigues, com quem partilha especialidade, são referências para uma atleta que, aos poucos, também ela começa a inscrever o seu nome na história da natação nacional.

 

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