Opinião

Como fazer de um dia um mundo melhor

No dia 5 de dezembro, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) assinala e comemora, através de atividades desenvolvidas em todo o mundo, o Dia Mundial do Solo. Este ano, e num conceito de uma saúde global (One Health), é promovida a divulgação da importância da sustentabilidade e saúde dos solos para o Homem com base no mote “Solos: onde a alimentação começa”.

Hoje há consciência de que a saúde tem de ser encarada como um todo. Não se pode separar a saúde dos seres vivos, seja ele qual for, do ambiente em que vivem. Um solo saudável é aquele que mantém a sua biodiversidade, com abundância de seres vivos, rico em nutrientes e gerador de alimentos de qualidade. Em suma, é um solo fértil onde há prosperidade, não esquecendo a sua importância na promoção do crescimento sustentável e salutar de todas as comunidades que dele usufruem.

A FAO estima que 33% dos solos estão degradados e que 95% dos nossos alimentos têm origem no solo. Face às previsões de aumento das áreas desertificadas e degradadas, como resultado das alterações climáticas e do crescimento da população mundial, estes valores despertam preocupação e esforços, principalmente no que se refere a como minimizar os efeitos negativos sobre o solo e como dar resposta à crescente necessidade de alimentos.

O CITAB, para além de contribuir para as soluções através da investigação desenvolvida, promove ações no exterior que visam a divulgação e educação do público em geral. Nos últimos anos, têm sido realizadas atividades em contexto escolar, onde os jovens alunos têm a oportunidade de aprender, desenvolver e aplicar uma das seis ações de promoção do balanço de nutrientes no solo: “adição de matéria orgânica como estimulante da saúde do solo”.

O processo de vermicompostagem tem sido o modelo usado para mostrar a reciclagem de resíduos orgânicos nos solos e a importância da manutenção dos organismos do solo em condições salutares. Este modelo educativo para a saúde do solo permite consciencializar para a transformação dos resíduos orgânicos em húmus, para o papel das minhocas, e outros organismos, na qualidade do solo (estrutura, composição e biodiversidade) e no potencial fertilizante do vermicomposto para a produção de alimentos.

A construção e manutenção de um vermicompostor em contexto de sala de aula é um pequeno exemplo que desperta curiosidade e entusiasmo, tão próprios das crianças. De construção simples e com material reciclado, o vermicompostor possibilita a observação da transformação da casca da fruta do lanche em “terra”, que mais tarde usam para fazer crescer plantas. Desta forma, estas atividades ensinam um ciclo natural de transformação e vida, sensibilizam para a importância da saúde dos solos na qualidade de vida e dos alimentos que consumimos e promovem o respeito pelo ambiente e pelos organismos que nele habitam.

Num paralelismo com o mote lançado para este dia, a aposta é: “infância: onde a educação, saúde e consciência ambiental começam”, com esperança na promoção de um Futuro sempre melhor.

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