[caption id="attachment_1459" align="alignleft" width="300"] A Casa do Douro foi criada em 1932 com o principal objetivo de defender os interesses dos viticultores da Região Demarcada do Douro/ Foto: Salomé Ferreira[/caption] Com objetivo de saldar uma dívida de 1,1 milhões de euros em salários e indemnizações, a comissão administrativa da Casa do Douro pretende vender 81400 litros de vinho do Porto. Agostinho Santa, responsável pela comissão administrativa do património da Casa do Douro, que assumiu funções no passado mês de julho disse à agência Lusa que a resolução desta dívida com os trabalhadores "é um ponto de honra" e a "grande prioridade". Depois de identificadas e calculadas as dívidas aos trabalhadores, a comissão escolheu 81400 litros de vinho, separados em 27 lotes, de colheitas que datam de 1934 até 2001. Este vinho apresenta-se em ónus, isto é, não tem penhora mercantil ao Estado ou à Parvalorem. A proposta de venda foi apresentada ao Governo. O objetivo é arrecadar cerca de 1,1 milhões de euros para pagar a 60 trabalhadores e à Segurança Social. Em causa, explicou Agostinho Santa, estão vencimentos e indemnizações que ficaram por pagar aos funcionários que perderam o vínculo laboral quando a Casa do Douro foi extinta e outros que já tinham saído da instituição, mas que ficaram também com pagamentos em atraso. Neste momento falta a nomeação de um fiscal único que analise o processo e a autorização do Governo, referiu o responsável pela comissão. O passo seguinte será avisar as 105 empresas que podem comprar o vinho, nomeadamente negociantes de vinho do Porto ou comerciantes de vinho generoso que estão inscritos no Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP). Agostinho Santa entende que "o mercado poderá responder positivamente a esta venda" que, disse, não vai colocar em causa o escoamento da produção dos restantes atores do setor. "As dívidas da Casa do Douro vão mesmo que ter de ser pagas com aquilo que o património da Casa do Douro tem. É com isso com que nós contamos e, para que isso aconteça, tem que haver vendas", frisou. Caso a venda não totaliza o valor o necessário para saldar a dívida, Agostinho Santa lembrou que a Casa do Douro detém mais património, como as ações da Real Companhia Velha e imóveis que, neste momento, estão em deterioração. Prioridade para a comissão administrativa é também a preservação do património, a segurança dos edifícios e a sua conservação, já que é neles que estão guardados os 14 milhões de litros de vinho do Porto da Casa do Douro.

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