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Acordo entre Produção e Comércio fixa benefício de 76 mil pipas para a vindima de 2026

Produção e Comércio chegaram esta sexta-feira a entendimento quanto ao benefício para a próxima vindima, aprovando por unanimidade a atribuição de 76 mil pipas destinadas à produção de vinho do Porto. A decisão foi tomada na reunião do Conselho Interprofissional do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), realizada no Peso da Régua.

O quantitativo representa um acréscimo de mil pipas relativamente ao ano passado, interrompendo a sequência de reduções registada nas três últimas campanhas. Ainda assim, continua distante dos valores autorizados há quatro anos, refletindo a adaptação do setor à evolução do mercado.

Cada pipa corresponde a 550 litros de mosto e o benefício continua a ser determinante para a rentabilidade de muitas explorações vitícolas da Região Demarcada do Douro, uma vez que permite a produção de vinho do Porto e influencia diretamente o rendimento dos viticultores.

No final da reunião, Rui Paredes, presidente da Casa do Douro, considerou que o aumento aprovado "fica um pouco aquém daquilo que eram as nossas pretensões". Apesar disso, entende que a decisão representa um sinal positivo para a região, embora recorde que "não é com mais mil pipas" que se resolvem os problemas enfrentados pelos produtores. O responsável acrescentou ainda que o benefício continua a ser "uma âncora" para assegurar o equilíbrio económico das explorações agrícolas.

Também António Filipe, presidente da Associação das Empresas de Vinho do Porto, valorizou o consenso alcançado, classificando-o como "um sinal positivo". O dirigente lembrou, no entanto, que o setor continua a registar uma quebra superior a 10% nas vendas, tanto em volume como em valor, e sublinhou que Produção e Comércio têm "muito mais pontos em comum do que pontos de divergência".

Para o presidente do IVDP, Gilberto Igrejas, a aprovação unânime demonstra a capacidade de entendimento entre os diferentes agentes da fileira. O responsável afirmou que a reunião decorreu de forma "pacífica" e traduz uma visão partilhada sobre o momento que o Douro atravessa.

O comportamento da próxima vindima será, contudo, determinante para o mercado. Gilberto Igrejas alertou que uma produção mais elevada poderá aumentar a pressão sobre as uvas que não forem destinadas ao vinho do Porto, enquanto uma colheita de menor dimensão poderá contribuir para uma maior valorização da matéria-prima.

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